Quanto tempo você já esperou por uma consulta com especialista pelo SUS? Para muita gente, são meses, às vezes anos. Em Mogi das Cruzes, a Prefeitura acaba de abrir uma nova frente para encurtar essa espera: o programa federal Agora Tem Especialistas, que quer colocar a capacidade ociosa de clínicas e hospitais privados a serviço dos pacientes do SUS. Veja o que foi anunciado, quais especialidades estão na mira e o que isso pode mudar para você.
O que aconteceu em Mogi das Cruzes
A Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar reuniu, no auditório da administração municipal, empresas e prestadores de serviços de saúde do município. Participaram representantes do Ministério da Saúde, a prefeita Mara Bertaiolli e o vice-prefeito Téo Cusatis. O objetivo foi identificar a capacidade instalada e as oportunidades de ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados para o SUS. A secretária Rebeca Barufi explicou que o grupo passou por um filtro inicial para tornar a conversa mais objetiva e que, a partir daqui, haverá reuniões individuais com as empresas interessadas que cumpram os requisitos.
O que é o Agora Tem Especialistas
O programa foi criado pela Lei nº 15.233/2025 como iniciativa do governo federal para reduzir as filas médicas no SUS. A lei foi sancionada em 7 de outubro de 2025. Ele funcionará até 31 de dezembro de 2030 e permite que hospitais privados e planos de saúde aderentes ofereçam atendimentos a pacientes do SUS. Segundo a Prefeitura, o programa tem quatro componentes: ressarcimento ao SUS, créditos financeiros, prestação de serviços especializados em caráter complementar e o projeto Mais Médicos Especialistas.
O que Mogi quer ampliar: as demandas
A Prefeitura apresentou os serviços considerados estratégicos para reduzir a fila:
- Exames: eletroneuromiografia, eletroencefalograma, avaliação urodinâmica e ultrassonografia transfontanela.
- Consultas prioritárias: oftalmologia, ortopedia, neurologia, dermatologia e fonoaudiologia.
- Outras demandas: endocrinologia, cardiologia, nefrologia, entre outras.
Como as empresas serão avaliadas
Três critérios guiam a seleção:
- Capacidade técnica: estrutura ambulatorial, equipamentos e capacidade instalada.
- Disponibilidade de oferta: horários livres, capacidade ociosa e volume mensal que pode ser destinado ao SUS.
- Localização: prioridade para estruturas já instaladas em Mogi das Cruzes ou empresas com possibilidade real de ampliar a estrutura física no município.
Regras que valem para quem aderir
Pela lei, as empresas precisam ter o pedido de adesão deferido e registrar a oferta de atendimentos em sistema do Ministério da Saúde. Pessoa jurídica em débito com a seguridade social deve estar regularizada antes da adesão. A lei também prevê transparência: o Ministério da Saúde deve publicar anualmente um relatório de avaliação dos resultados. Segundo análise do ex-ministro Arthur Chioro, o limite anual de recursos do programa é de 2 bilhões de reais. LEI Nº 15.233, DE 7 DE OUTUBRO DE 2025 +2
O que muda para o paciente
Segundo o Congresso em Foco, o programa institui uma fila única nacional, administrada pela Central de Regulação do SUS, que distribui os atendimentos conforme a ordem de chegada e a gravidade do caso. Na prática, o paciente continua entrando pelo SUS, e não deve procurar diretamente as clínicas parceiras. Se o município fechar parcerias, o atendimento passa a acontecer em estruturas privadas contratadas, sem custo ao usuário.
Perguntas rápidas
Já posso agendar com um especialista particular pelo SUS? Ainda não. O que ocorreu foi o início do processo de adesão das empresas.
Quando as filas vão diminuir? Não há prazo divulgado. Primeiro vêm as reuniões individuais e eventuais contratos.
Como saber da minha posição na fila? Procure a UBS de referência ou a Secretaria de Saúde.
Fique por dentro
A união entre rede pública e privada pode ser um caminho para reduzir uma das maiores dores do SUS: a espera. Compartilhe este artigo com quem aguarda por uma consulta ou exame e acompanhe as próximas atualizações.
