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Merenda escolar em Mogi: estudo compara couve in natura e higienizada

Quanto custa, de verdade, descascar, lavar e cortar a couve que vira o almoço de milhares de crianças? Em Mogi das Cruzes, a Prefeitura decidiu medir. Com balança, cronômetro e controle de água, o Programa de Desenvolvimento Alimentar Sustentável (PDAS) está testando uma nova forma de preparar a merenda escolar. O resultado pode mudar a rotina das cozinhas e o bolso do município. Veja o que está sendo feito, quem participa e por que isso importa.

O que aconteceu em 23 de setembro

A Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar fez um estudo no Departamento de Alimentação Escolar (DAE) para padronizar as medições que serão aplicadas em três escolas. A equipe acompanhou cada etapa do processamento dentro da cozinha: pesagem inicial, separação das partes não aproveitáveis, higienização e corte. Para o teste, usaram a couve, um dos alimentos selecionados pelo grupo de trabalho.

Também foram definidos os procedimentos para registrar:

  • o consumo de água;
  • a pesagem dos alimentos antes e depois do processamento;
  • as etapas realizadas pelas Auxiliares de Desenvolvimento da Educação (ADEs).

Essa padronização permitirá comparar os dados das diferentes escolas.

O estudo: duas formas de receber o alimento

O estudo vai comparar:

  1. Alimentos in natura, como ocorre hoje, que chegam inteiros e precisam ser limpos, higienizados e cortados na cozinha;
  2. Alimentos frescos, minimamente processados e higienizados, que chegam prontos para uso nas receitas.

Segundo o secretário Renato Abdo, serão analisados o tempo de preparo, o custo de aquisição e logística, o consumo de água, a mão de obra das ADEs e o percentual de descarte. Ele lembra que, no caso dos alimentos higienizados, o custo do processamento já está embutido no preço do produto.

Onde será aplicado

A medição será feita em três escolas municipais: Desembargador Armindo Freire Marmora, Dr. Álvaro de Campos Carneiro e Professora Florisa Faustino Pinto. As avaliações ocorrerão em três escolas de período integral, e o grupo técnico fará duas visitas em cada uma.

Quem está por trás do PDAS

O programa une gestão pública e conhecimento técnico, com parceria da Fatec, do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort) e da Comissão Nacional de Vegetais Frescos e Higienizados (CNVeg). Também participam secretarias municipais como Educação e Clima e Meio Ambiente. Em reunião anterior do Conselho Gestor e do Comitê Técnico, o diretor do Ibrahort, Manoel de Oliveira, explicou que a ideia é verificar quanto o serviço das merendeiras será otimizado, a oferta e o consumo dos alimentos e a redução de perdas.

A visão da Prefeitura

Para o secretário Renato Abdo, a meta é preparar os profissionais para uma nova fase da merenda, com mais qualidade de vida, segurança alimentar e alimentos de melhor qualidade chegando às crianças. A fala resume o desafio: unir tecnologia, segurança alimentar, sustentabilidade e qualidade nutricional.

Por que isso importa: o cenário nacional

A alimentação escolar é política nacional, regida pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Uma lei de 2025 elevou o piso de compras da agricultura familiar: do total repassado pelo FNDE ao PNAE, no mínimo 45% devem ser usados na compra direta da agricultura familiar, contra 30% antes. O novo percentual vale a partir de 1º de janeiro de 2026. Isso pressiona os municípios a replanejar compras e logística, e Mogi das Cruzes, grande produtora de hortifrúti, está bem posicionada.

Mogi e a agricultura familiar

A Secretaria de Agricultura informou que 87% das cerca de 1.600 propriedades rurais do município têm até 20 hectares, ou seja, são pequenas propriedades, e que a cidade é referência em hortifrúti. A Câmara também aprovou o Programa Mogiano de Aquisição de Alimentos (PMAA), que busca fortalecer o pequeno produtor e permitir que ele venda alimentos para o Executivo, inclusive para creches. A logística da alimentação escolar em Mogi já foi tema de estudo acadêmico, que analisou a cadeia de abastecimento da merenda no município, um dos mais importantes produtores de alimentos do Brasil.

O que pais e responsáveis podem esperar

O estudo não muda o cardápio da noite para o dia. Ele gera dados para decidir, com base em números, se vale a pena receber alimentos já higienizados, total ou parcialmente. Os possíveis ganhos incluem menos descarte, menos consumo de água nas cozinhas e mais tempo das ADEs para outras tarefas. Se os números não compensarem, a Prefeitura pode manter o modelo atual. O que o teste busca é decidir com evidências.

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Merenda de qualidade começa na horta e termina no prato. Compartilhe este artigo com pais, professores e produtores rurais e acompanhe os resultados do PDAS.

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