Violência doméstica não escolhe dia nem hora, e muitas vezes acontece justamente à noite, aos fins de semana e nos feriados, quando as delegacias especializadas costumavam estar fechadas. Em Mogi das Cruzes, essa lacuna acabou: a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) oficializou o atendimento 24 horas, uma conquista que a cidade recebe no mês em que celebra 466 anos. Veja o que mudou, onde fica a unidade e como pedir ajuda.
O que aconteceu
A prefeita Mara Bertaiolli anunciou, na tarde de quinta-feira (17/09), a oficialização do atendimento 24 horas da DDM. O anúncio ocorreu durante visita técnica da prefeita e do vice-prefeito Téo Cusatis à delegacia, com o secretário de Segurança Pública do Estado, Osvaldo Nico Gonçalves, a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, e o delegado-geral de Polícia, Artur José Dian. O funcionamento ininterrupto era um compromisso da administração municipal. O atendimento 24 horas começou a ser feito em 27 de agosto, em caráter de implantação, e antes a unidade funcionava de segunda a sexta, das 9h às 18h.
Como se chegou até aqui
A mudança é resultado de uma conversa de longa data entre Prefeitura e Governo do Estado. Segundo a prefeita, a conquista foi construída pelo diálogo com o Governo do Estado desde o início da gestão. O ponto-chave foi a nova sede. O espaço, no Jardim Santista, foi alugado e reformado pela Prefeitura, que manterá o funcionamento do prédio. Na inauguração, em 13 de janeiro, a prefeita já pediu diretamente ao Estado que a delegacia passasse a funcionar 24 horas. A nova unidade tem brinquedoteca para os filhos das mulheres atendidas, sala de videoconferência e espaços de acolhimento. O secretário estadual afirmou que o novo prédio oferece todas as condições para a DDM 24 horas.
Há uma diferença nas datas: uma reportagem aponta que a nova sede funciona desde 8 de dezembro de 2025, enquanto a inauguração oficial foi em 13 de janeiro de 2026.
O que muda para a mulher
Com o novo funcionamento, a mulher passa a contar, em qualquer horário, com um espaço específico, seguro, acolhedor e privativo para registrar o Boletim de Ocorrência. Antes, fora do horário da DDM, o atendimento era feito na Sala Lilás da Central de Flagrantes da Polícia Civil. Agora, uma delegacia especializada recebe a vítima a qualquer hora, o que evita deslocamentos e esperas em locais não especializados.
Segundo uma reportagem, a unidade opera com efetivo completo, incluindo escrivães e delegados de plantão preparados para as especificidades desses casos.
Como pedir ajuda: a rede completa
| Canal | Para quê |
|---|---|
| 190 (Polícia Militar) | Emergência imediata |
| 153 (Guarda Municipal) | Emergência na cidade; encaminhamento à Patrulha Maria da Penha |
| DDM 24h | Registro de B.O., pedido de medida protetiva |
| SOS Mulher Mogiana | Aplicativo para quem já tem medida protetiva |
| SP Mulher Segura | Aplicativo estadual de denúncia |
| Ligue 180 | Central nacional de atendimento à mulher |
Em março de 2025, Mogi também aderiu ao Pacto Ninguém se Cala, iniciativa do Ministério Público de SP de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
O cenário no Alto Tietê
O Alto Tietê tem cinco DDMs, em Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano, além de oito Salas DDM com atendimento 24 horas. Ou seja, a região tem uma rede, e Mogi passa a ter uma delegacia especializada de portas abertas a qualquer hora.
Pontos de atenção
Houve questionamentos sobre a comunicação da mudança. A vereadora Inês Paz apresentou um requerimento na Câmara afirmando que o novo horário não havia sido divulgado, e questionou a garantia de presença de mulheres no atendimento e o detalhamento do funcionamento ininterrupto. Na ocasião, a Secretaria de Segurança Pública confirmou o atendimento 24 horas por telefone, mas não detalhou a data de início nem a estrutura das equipes. A oficialização posterior busca dar publicidade ao serviço. Para a população, vale cobrar transparência sobre a estrutura de plantão, a presença de profissionais mulheres e os fluxos de acolhimento e encaminhamento.
Por que isso importa
A delegacia é, para muitas mulheres, a porta de entrada da rede de proteção: é ali que se registra a ocorrência, se pede a medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha e se aciona o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha. Quanto mais cedo a vítima consegue chegar e ser bem acolhida, maiores são as chances de interromper o ciclo de violência.
Como ajudar alguém que você conhece
- Acolha sem julgar e mostre que existem serviços 24 horas;
- Não confronte o agressor. Em risco imediato, ligue 190 ou 153;
- Compartilhe os canais de ajuda;
- Ofereça companhia até a delegacia, se ela quiser.
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